Dicas
 
Tem algum amigo ou familiar que faz terapia?
Então este texto é pra você!
 
Se você apoia essa pessoa e participa da vida dela simplesmente com a sua presença, dividindo todos os momentos, então o seu amigo ou familiar é uma pessoa de sorte!
Mas, mesmo assim, provavelmente muitos dos que estão lendo este texto já devem ter perguntado:
“Você vai fazer terapia?! Pra quê?!”
Decidir fazer uma terapia, exceto para um número reduzido de pessoas,  não é um movimento fácil.
Primeiro por inúmeros tabus, preconceitos e informações equivocadas do que realmente é uma terapia. Por desconhecimento, infelizmente muitas pessoas ainda pensam que terapia é pra quem não está equilibrado, não está muito…. “normal”. E o que é normal? Pense bem. Lá no fundo, bem no seu íntimo, naquele lugar escondido que só você sabe que existe, não tem uma característica, um pensamento, um sentimento meio… diferente ou estranho? Então, o que é normal? Isso é tão relativo quanto existem pessoas diferentes. E cá pra nós, o termo  “normal” neste contexto, não tem função, não há parâmetro, não há referência já que cada um é único.
Segundo, pelos nossos próprios obstáculos. Lidar de frente com as nossas dificuldades, com aquelas características que não gostaríamos de ter, de perceber que temos limites e provavelmente não vamos ultrapassar determinadas condições, não é fácil pra ninguém!
Só por esses dois motivos, vencidos por quem resolve fazer uma terapia, o seu amigo já deveria receber toda a sua consideração e o seu entendimento de que, se ele tomou a iniciativa, há algo na sua vida que ele quer entender e melhorar.
 
Rever posturas, reconhecer-se e assumir para si mesmo o que somos ou como estamos pode ser um processo lento em alguns casos. Cada um elabora e reconhece em si as suas próprias situações no seu tempo, dentro da sua condição e na sua maneira de entender e de se relacionar com o mundo.
 
Se essa pergunta fosse feita à mim, “Você faz Terapia? Pra mim não funcionou!”
eu sinceramente incentivaria você a buscar outras práticas terapêuticas. Porque assim como existem pessoas diferentes também existem terapeutas e terapias de todos os tipos para todos os perfis. Mas, talvez para o seu amigo esta funcione melhor.
Respeitar a opção dos outros é aceitar as diferenças.
 
Então, se você é um daqueles que pergunta   “Você ainda está fazendo terapia?”   saiba que mais pressão não ajudará o processo dele. Todas as pessoas fazem o melhor que podem no tempo que conseguem. E muitas delas já se pressionam muito por um resultado.
Respeitar o tempo dos outros e o tempo do acontecimento das coisas não é só demonstração de paciência e aceitação, é principalmente sinal de equilíbrio e consciência.
 
Todas as terapias, a grosso modo, tendem a voltar a atenção do indivíduo pra si, para a ressignificação do que até então traz como características. Só prestando atenção em si mesmo, revendo seus conceitos, suas verdades e suas atitudes é que é possível uma mudança. Se nesse período o seu amigo ficar um pouco autocentrado, focado em si, não dando a mesma atenção ao que dava antes, e você dizer frases do tipo: “Nossa! Mas como você está egoísta” ou “Depois dessa terapia você mudou muito, não é mais o mesmo.”, saiba que a mudança é parte do sucesso da terapia.
E se seu amigo mudou tanto assim, será que antes ele pensava também em si mesmo? Ou levava mais em consideração os outros e incluía pouco a sua vontade?
As mudanças numa terapia são inevitáveis,  as vezes e por breves períodos, faz o indivíduo ir de um comportamento ao oposto, para depois chegar num equilíbrio. Talvez porque o desequilíbrio era grande e ele provavelmente estava muito afastado do que seria natural para a sua individualidade.
O importante a saber é que ninguém deixa de ser o que é nem antes, durante ou depois de uma terapia. Mas pode acessar em si outras características e descobrir outros comportamentos a serem adotados e optar, numa gama maior de situações internas, o que quer expressar ou assumir como sendo parte de sua autenticidade.
O auto-conhecimento numa terapia abre um leque maior de opções de como atuar na vida, escolher dentre muitas características aquelas que lhe falam à alma, aquelas que o indivíduo percebe que retrada quem ele realmente é.
 
Por isso, tenha paciência por todos os processos que o seu amigo ou familiar
passa. Se há amizade e amor entre vocês, então também há espaço para paciência
e respeito pelo momento de cada um.