Blog: As Flores do Caminho

Florais e Crises

A afirmação de que os florais auxiliam nos estados emocionais já não é uma questão para quem os utiliza. A imensa maioria dessas pessoas vivencia essa realidade de forma concreta.

Por muito tempo, no entanto, a ideia de que os florais curam ou “tiram” a dor emocional me causava certo incômodo. As plantas medicinais curam por meio de seus princípios ativos. Já os florais são substâncias inertes, não contêm princípio ativo. São portadores de uma informação da natureza e, por isso, não podem ser compreendidos sob a lógica da alopatia.

No meu entendimento, os florais funcionam como incentivadores de uma resposta emocional mais saudável diante das oscilações, conflitos e crises. Eles não retiram o indivíduo da dor ou da crise, mas favorecem um enfrentamento mais consciente, ao resgatar capacidades internas que estavam enfraquecidas ou fora do alcance da consciência. Aliviam o desconforto, mas, ao mesmo tempo, propõem o confronto e uma elaboração mais profunda das questões. É justamente por isso que os florais se tornam grandes aliados da terapia.

Ajudar o indivíduo a enfrentar a crise, abrindo espaço para novas percepções, é um caminho mais potente para lidar e, muitas vezes, superar conteúdos difíceis de serem integrados pela consciência,  como os estados depressivos, por exemplo. Os florais não retiram alguém da crise, porque é justamente atravessá-la que possibilita a ressignificação. Por isso, a ideia de evitar a dor emocional por meio de medicação nem sempre é a melhor opção embora, em certos casos, seja necessária e não deva ser descartada. Mas a superação, ou mesmo a transformação da dor, se dá justamente nesse processo de atravessamento. E é nesse ponto que os florais oferecem um suporte essencial.

Neste trecho, há uma bela reflexão sobre a importância das crises e da dor:

"(...) a depressão leva o sujeito necessariamente para baixo, para um aprofundamento em si mesmo. Diminui o ritmo, desacelera o intelecto, aproxima o horizonte. Talvez nada hoje em dia consiga para nós o que consegue a depressão, e por isso sua presença é tão marcante: esforços da farmacologia à parte, na depressão somos lançados irremediavelmente ao vale da alma."

Mulher e flor

A preocupação com a profundidade e a depressão também permite à psicologia arquetípica uma crítica à cultura, na medida em que "uma sociedade que não permite a seus indivíduos deprimir-se não pode encontrar sua profundidade e deve ficar permanentemente inflada, numa perturbação maníaca disfarçada de crescimento."

Esse trecho foi retirado da introdução escrita por Gustavo Barcellos para o livro Psicologia Arquetípica, de James Hillman, 1ª edição digital, 2022, Ed. Cultrix.

A imagem da flor corresponde à essência floral Black-Eyed Susan, do sistema californiano. Não recomendo o uso dessa essência fora de um processo terapêutico, devido à possibilidade de acesso a conteúdos mais densos — como o próprio repertório da essência salienta:

"(...) Esta essência nos ajuda a lançar luz sobre essas partes não assumidas ou reconhecidas de nós mesmos. Ela nos ajuda a olhar para nosso lado negativo, assim como para aquilo que também existe em nós, mas que tentamos negar. Suas qualidades iluminam e abraçam o todo, e nos ajudam a aprofundar o processo de conhecimento de nosso lado ‘sombra’.”  Repertório das Essências Florais da Califórnia

Ana Roxo

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